A primeira de três longas viagens de comboio deu-nos aquela que teria sido a nossa melhor noite de sono, não fosse pelos zelosos (e demorados) controlos de fronteira. Os nossos passaportes da UE foram folheados e os nossos traços faciais analisados com a maior atenção. O rapaz ucraniano que, oficialmente, partilhava connosco o vagão-cama (mas que só aparecia nos controlos de passaporte) foi o último a ser vistoriado e entretanto adormeceu (de passaporte e garrafa de cerveja na mão). O militar acordou-o puxando-lhe o cabelo e dando-lhe uma chapada na cara. Pelos vistos, é o procedimento habitual entre eles, porque depois até se riam e faziam piadas entre eles. Nós achámos por bem não experimentar esse nível de integração com os nativos.
À chegada, demos em pleno com a campanha para as presidenciais. Sem dúvida que a da candidata Julia Timochenko foi a que reuniu a maior adesão, dando-nos um belo espectáculo de fogo-de-artifício e concertos para acompanhar o nosso jantar.
- 1.ª impressão de Kiev: well hello capitalism! Embora bastante militarizada, vemos brutos carrões (nem sequer sonhados em Portugal), resmas de lojas de grandes cadeias e estilistas, gente nas ruas com sacos de compras e o MacDonalds mais apinhado de sempre!
- Kiev com medo: o chinês que encontrámos primeiro no hostel, cabelo comprido a pingar no meio da sala de convívio, toalhinha à cintura e olhar siderado, a ver se lhe fazíamos caso. Reencontrámo-lo no dia seguinte em dois pontos bastante distintos da gigantesca capital ucraniana (que poderia bem compreender Lisboa, Porto e Faro). O encontro tornou-se ainda mais estranho quando, cinco dias depois, encontrámos a mesma criatura em Auschwitz (um campo monstruosamente grande, com imensos turistas, em que é preciso andarmos com etiquetas e fones para não nos perdermos do nosso grupo). Coincidência? Ich don't think so.
- Kiev de faca e garfo: estragámos o orçamento para comidas no Double Coffee local, onde bebemos mojitos de framboesa e limonadas com Pisang Ambon. No dia seguinte, MacDonalds, é claro.
- Kiev no seu melhor: os monumentos e a feira de rua de Andryivska, onde pudemos comprar medalhas e recordações dos tempos da URSS (embora tenha visto alguns artefactos arrancados de fardas nazis pelo meio).
- Kiev (s)em palavras: tak/ni (sim/não), djakuio (obrigado), du pobachenya (adeus).












6 postas de pescada:
Uia! Gostei de Kiev!
Dá para encher os olhos com igrejas ortodoxas.
E botas de salto altíssimo também! Aliás, esse luxo meio exagerado lembrou-me um pouco os "novos ricos" daqui... e olha que a Ucrânia está atrás do Brasil no IDH, no índice GINI e no PIB per capita... :p
Na Ucrânia e na Bielorrússia, os saltos não são luxo - todas as mulheres os usam.
De qualquer modo, mais curta será a lista de países que estão atrás da Ucrânia que a dos que estão à frente.
deixa-os entrar na UE e vais ver que em dois anos estamos atrás deles :P temos essa arte de gostar de estar a cheirar o dito cujo dos outros!
Não tenho quaisquer dúvidas. Aliás, pelo desandar da carruagem, qualquer dia até a Moldávia nos ultrapassa.
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