Postais da Toscana: Pisa, Florença, Lucca e Viareggio

20.6.09

A Toscana em poucas palavras? Monumentos lindos, pessoas bonitas, boa comida, sol e calor.

First stop: Pisa

A Pisa dos postais está toda concentrada no Campo dei Miracoli: a torre, a catedral, o baptistério, o cemitério e os museus.

Do lado oposto do rio Arno ainda se encontra um ou outro monumento digno de visita, como San Paolo a Ripa D'Arno ou Santa Maria della Spina, mas quem vem a Pisa quer é a Torre Inclinada.
Ora, a 15 euros para estar na fila ao sol (só entram grupos de 20-30 pessoas de cada vez) subir, tirar fotos e descer, achei que mais valia subir a Torre dos Clérigos (sempre é mais barata e tem mais degraus) e gastar 10 euros num bilhete que dá acesso a todos os outros monumentos e os museus na praça - e, isso sim, vale a pena.




Não consigo nem dizer quantas pessoas vi fazer aquela pose típica de quem finge empurrar ou segurar a torre - é consoante a personalidade e decerto já terão sido escritos vários estudos sobre o assunto. Confesso que também passei o meu bom quarto de hora a tentar fazê-lo, mas ou saía muito em cima ou muito atrás ou tremido ou escuro... Bah.

A cerca de uma hora de comboio fica Florença.
 Aqui sim, anda-se e bem, mas a cada calhau em que se tropeça há campanários, leões de pedra e brasões.
Levei dois casacos e um chapéu-de-chuva que nunca saíram da mala e que de bom grado teria trocado por um pacote de pensos Hansaplast e umas sandálias ortopédicas daquelas feiosas que os turistas americanos usam (nisso são espertos).
Uma overdose de igrejas, museus, estátuas e palácios de tal modo que sinto que eu, os santinhos e as talhas douradas já somos tu-cá-tu-lá.




Sinto que andei a nadar nos livros de história sobre o Renascimento, tirei fotos à pilinha do David do Michelangelo, atravessei a PonteVecchio com os seus cadeados proibidos (promessas de amores eternos...), vi as roupas, loiças, pratas e jóias do Palácio Pitti e calcorreei os jardins Boboli até me entrar a paisagem toscana olhos adentro.

Paragem seguinte: Lucca, a cidade dentro de muralhas.
 Não terá mais de 4 km de diâmetro, mas não há esquina sem capela, torre ou pracinha.
Na encantadora Lucca, toda a gente anda de bicicleta e passeia os cães (ao mesmo tempo, a maior parte das vezes), respira saúde e tem tudo limpinho. Percorri as seis portas da muralha, onde todos os nativos andam, correm, pedalam ou patinam a qualquer hora do dia. Não conheci ainda localidade que me transmitisse uma tal sensação de qualidade de vida. Menos infestada de turistas que Florença, come-se melhor por menos. Puccini não poderia ter nascido em melhor terra.

Tempo houve para uma breve passagem por Viareggio para nadar no Tirreno (15 euros por duas cadeiras e um guarda-sol, mas a praia, de facto, estava imaculada) e ver as fachadas Art Nouveau desta estância balnear do jet-set.

Depois disto, não me levem a mal se não quiser ver igrejas, estátuas e museus durante uns tempos. Mas uma bela pizza já vinha outra vez...



10 postas de pescada:

Formiguita Bipolar disse...

Hum, pelo que vejo os dias não foram de monotonia.
Belas vistas (e belas montagens fotográficas)!

(E porque é que não há mais estátuas de nus por estas bandas?)

Pony disse...

Que saudades de Lucca! A minha bisavó quando decidiu sair de lá para emigrar para o Brasil deveria ter pensado duas vezes... Mas nem tudo é mau! Afinal de contas vivo em Portugal! Ena. Também fico com essa sensação, em Lucca, de que queli maledetti sano vivere veramente la dolce vita...

Le Rachelet disse...

Formiguita: de facto, foram dias de muito andar a pé, porque é assim que se conhece verdadeiramente e encontra aqueles recantos especiais de uma cidade.
Quanto aos nus, acho que nos faltou um patrono poderoso e apreciador das belas-artes como a família Médicis. Tudo o que não fosse estátuas de santinhos não singrava entre as nossas beatas.

Pony: Lucca entrou directamente para a minha lista de cidades onde passar os meus anos de velhice.

Ibirá Machado disse...

Pony, pois eu agradeço à tua bisavó por ter emigrado para o Brasil, tal qual fizeram meus bisavós, que saíram do Vêneto e do Abruzzo. Não fossem eles, minha querida metrópole paulistana não seria o que é :)

Me Myself I disse...

Pois, eu também tirei uma dessas fotos de que falas, há alguns anos, em que tento segurar a torre de Pisa. Ficou gira, é verdade, mas já precisa de ser actualizada!

Pronto, agora estou mesmo com vontade de voltar a ver Itália, e de ver tudo o que ainda não vi! A culpa é tua! :b

Bxana disse...

Bela viagem!!! Um amigo meu diz que as melhores pizzas que comeu até hoje foram em Florença...confere?

Miaus!

Le Rachelet disse...

Ibirá: além de que, tivessem vocês ficado em Abruzzo, hoje estariam com alguns problemas bem sérios.

Di: terei de viver com esse peso na minha consciência. :P

Bxana: melhores são as pizzas e calzones de Lucca, sobretudo no restaurante Fuori di Piazza, numa esquina da Piazza Napoleone. Eu, que nem aprecio muito molho de tomate, até lambia os beiços.

Ibirá Machado disse...

Rachelet, pois é.

E eu já ouvi muito dizer que as pizzas de SP são as melhores do mundo. A julgar que 60% dos 11 milhões residentes somente na área municipal de São Paulo têm ascendência italiana, não é difícil de imaginar tal afirmação! :)

Rachelet disse...

E dessa ascendência italiana, muita será do lado oeste, não?

Ibirá Machado disse...

Por que do lado oeste?... eu não sei ao certo, mas pelo que percebo poucos são das regiões de Lombardia e Liguria, mas do resto da Itália inteira temos representantes, da Calábria ao Vêneto, da Toscana ao Abruzzo... acredito que as maiores levas saíram do Vêneto, da Campania, e da Calábria, estas duas última com forte presença através de suas festas típicas, com muita tarantela. :)