Da natureza (im)perdoável da traição amorosa
10.12.09
Desde que vi a série Engraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados na televisão e, anos mais tarde, a li que gosto da «flor de obsessão» que é a escrita dele, com as suas personagens tão normais e tão doentias que nos fazem andar dias a fio a olhar torto para as vizinhas e os senhores simpáticos.
Ele escreve o que eu gosto de ler, pronto: histórias sobre pessoas densas mas comuns, com as descrições encaixadas nas doses certas para explicar factos, não para exercitar os floreados estilísticos. As suas contradições tão humanas, o modo como tudo o que escreve ganha cheiro e sabor, mesmo que desagradáveis... Cada vírgula tem um fim e é engolida com gana.
Ando a ler A menina sem estrela, as suas memórias, onde ele conta sem pudores nem cronologias os episódios mais marcantes da sua vida, dos mais triviais aos mais trágicos.
Percebi finalmente de onde vem o amor que tem às adúlteras e aos suicidas.
Há referências a muitas personalidades da História brasileira dos anos 1930 a 50 que não capto, mas os episódios mais corriqueiros e as reflexões quotidianas dão-me vontade de sublinhar o livro. Ainda bem que é emprestado e não cometo esse (para mim) crime!
Uma reflexão dele tem a ver com as naturezas da infidelidade conjugal:
E não é que me pôs a pensar que, embora a traição sexual esteja quase equiparada à afectiva no que toca à maioria das mulheres, tanto para homens como para mulheres, a traição afectiva é o que dói verdadeiramente. Daí a célebre frase «Mas não significou nada».
O tiro que vem do corno vem mais da dor (a chamada dor de corno) do que da humilhação em si. O traído não suporta que o seu corpo tenha sido preterido, mas não perdoa nem admite que o seu lugar no coração do ser amado tenha sido roubado.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:23 8 postas de pescada
Enfiei isto na gaveta Fragmentos do quotidiano
Descobertas que mudaram o (meu) mundo da música - The Middle
9.12.09
E eu que pensava que ele cantava
"Hey, don't write yourself away / It's only in your head you feel left out or / Look down numb"
e ele canta-me
"Hey, don't write yourself out yet / It's only in your head you feel left out or / Looked down on"...
Se a minha versão não era muito mais emo?
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:15 0 postas de pescada
Enfiei isto na gaveta Lapsos melómanos
World's next top model
8.12.09
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 17:31 10 postas de pescada
Enfiei isto na gaveta Crónicas imperiais
Keep it simple, stupid - salas de estar
Less is more, minimalismo, simplicidade, linhas puras... todo este blábláblá descreve uma ideia básica: atenhamo-nos ao essencial.
E o que é essencial numa sala de estar? Um sofá confortável, prateleiras e/ou mesas, uma televisão (embora a malta da decoração não goste de as incluir nas fotos, que é de uma sala sem o seu monstro sagrado?). O resto é mais ou menos acessório.
Claro que acrescentar elementos depende do espaço e da disposição de uma sala.
Em vez de estantes, optar por prateleiras suspensas (sem estrutura visível); em vez de muitas molduras, optar por pintar ou forrar com papel uma parede; em vez de poltronas, optar por pufes ou banquetas... Mas, em geral, mais vale a menos e sem grandes fuzués, que a mais e muito elaborado, não concordam?
Fontes: The style files, Decor8 1 e 2, Nina in vorm, Emma Cassi.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:15 6 postas de pescada
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O fim da Internet: os meus pais eram o máximo!
7.12.09
Antes de nos terem obrigado a comer dobrada, chagarem o juízo com as horas de estar em casa e de ficarem parados no CD da Dulce Pontes, os nossos pais também foram jovens modernos e cheios de pinta.
É esta a premissa deste site, onde passei uma boa hora só a ver fotos antigas dos pais de estranhos.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:22 6 postas de pescada
Enfiei isto na gaveta O fim da Internet
To FB or not to FB
6.12.09
Quando percebi que aquilo descambava para o campo de engates e achando que o Facebook era a versão do hi5 para os crescidos, criei uma conta no FB. Muito me entretive com os testes, piada achei a saber um pouco mais sobre alguns amigos e o que era feito deles pelas imagens que postavam. Acho que era este o propósito da coisa.
O primeiro impacto negativo veio com as quintas e os aquários. Todos os dias choviam pedidos e convites para ser vizinha, oferecer pereiras e receber porcos... Mas descobri que era possível desactivar esses importúnios e deixei-me estar.
Depois, vieram os pedidos de fãs. Ou melhor, sugestões para que me torne fã de algo. Quem me conhece sabe que sou fã de muito pouca coisa. Há bandas que adoro, realizadores que sigo, mas não me proclamo fã. Ainda aceitei um ou outro por cortesia, mas os que não aceitava depois ficavam melindrados e cobravam-me satisfações. Então decidi não ser fã de nada e desactivar os mails nesse sentido.
Finalmente, fez-se sentir o terceiro inconveniente do Facebook: o controlo.
Lembro-me de ter uma chefe que ia vasculhar os hi5 dos candidatos: os CVs de todas as muchachas que se fizessem fotografar de biquíni e de todos os muchachos que se orgulhassem de publicar as fotos das farras iam para o lixo.
Apesar de ter vergonha na cara e não andar aí pela net em preparos desses, pensei que, de qualquer forma, há que filtrar os amigos. Lá porque «conheço» o meu chefe, não quero partilhar com ele as fotos das minhas férias ou do meu Natal, por mais inocentes que sejam (e são), nem quero que saiba quem são os meus amigos, a minha família, o que penso sobre política e religião (por muito soft que sejam os meus pontos de vista).
Com os AMIGOS, podemos partilhar tudo o que entendermos. O problema está quando começamos a perceber que nem toda a gente entende o conceito de amizade da mesma maneira. Adicionamos gente que conhecemos uma vez na fila da casa de banho no mesmo botão com que adicionamos os nossos pais. Adicionamos gente famosa que não conhecemos, empresas que nem são a nossa, adicionamos porque se tornou um desporto mundial adicionar. Acho mesmo que há quem tenha transferido a obsessão por acumular compras pela mania de adicionar gente ao curral do Facebook.
Há quem tenha 500 e tal «amigos», mas na realidade, não tenha ninguém a quem pedir 10 euros para comprar comida.
E, de repente, toda a gente sabe onde, como, quando e com quem, por muito que eu defina parâmetros e regule acessos. Uma coisa é o blogue, onde até descambo muito mais do que devia, mas que não tem qualquer pretensão a visão oficial da minha pessoa e onde não sinto pressão alguma para aceitar ou promover algo/alguém.
Por isso, meus amigos, contentem-se com este buraquinho virtual. E quem quiser mais, venha cá falar comigo.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 13:43 7 postas de pescada
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#$%^&*§!
4.12.09
Se não é um que é taxista fanã amigado com a stripper brasileira, é outro que é mecânico e cadastrado; se não é esse, são outras três que são estudantes com a passarinha aos saltos... PQP que o senhorio sabe escolhê-los a dedo!
Sempre que penso «Ufa, é tão bom poder dormir um soninho só», lá vem a rambóia de gente arrumadeira! Mudam os inquilinos, mas a mania é a mesma. Podiam fazer orgias romanas, pôr música alto, fazer casamentos ciganos, esganar bebés em plena crise de dentição - enfim, variar, mas nãoooo! Arrastar móveis é que é bom. Já nem sequer inquilinos desordeiros se fazem como antigamente...
Como é que há tanta mobília para arrastar que seja preciso gastar nisso uma noite e uma madrugada inteiras? E o que terá isso de tão urgente e incomodativo que faz esta gente pensar «Ai não, tenham paciência, mas ninguém dorme enquanto não arrastar esta cómoda quarenta vezes até encontrar o ângulo ideal! Nem que leve uma semana a fio nisto!»?
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:25 20 postas de pescada
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Intervalo comercial: compras conscientes
3.12.09
Por esta altura, já terão percebido que sou parcial das causas que metem animais pelo meio, por isso, recomendo o site de merchandising da Pata Vermelha. Desde ganchos para o cabelo a casacos quentinhos, os artigos são giros (nada daquelas pirosadas que têm uma intenção muito boa, mas depois ninguém quer aquilo para nada) e, ainda por cima, são baratos, entregues pelo correio e as vendas contribuem para tratamentos de cães e gatos abandonados.
Portanto, pontos extra para vocês, ofertantes: não só despacham uma prenda, como ajudam e ainda ficam bem vistos como filantropos!
Relíquia do tempo dos nossos pais e avós, é a única pasta dentífrica de produção nacional, o que, já por si, deveria incentivar-nos a comprá-la em detrimento dessas porcarias cheias de aditivos das multinacionias acabadas em -ate e em -dent. Mas mais importante: é a única pasta de dentes no nosso mercado (que eu saiba) que não realiza testes em animais.
E se isto não chegar: é barata! Menos de 2€. E, apesar de ser mais concentrada, não é nada agressiva, mas é eficaz contra as «afecções da boca».
Se quiserem saber mais sobre onde está à venda na vossa área de residência ou cuscar um pouco sobre a sua história tão riquinha, vede aqui o site da marca.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 08:50 12 postas de pescada
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E ao 8.º dia, Deus criou o Ikea - parte 2
2.12.09
Ora eis uma solução inteligente e barata para um T0 ou um loft.
Usar uma estante aberta como divisória ajuda a cortar em dois um espaço, sem que isso signifique obras ou que se perca luz entre um espaço e outro.
Mais uma vez, alguns itens vêm do Ikea, pelo que não é difícil reproduzir este quarto/sala.
Ajuda, claro está, a divisão ter bastante luz e um soalho claro. Mas a escolha da disposição e das cores das peças dá ao espaço a ilusão de ser maior do que é na verdade (atentem no tecto e verão que não é assim tão grande).
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 11:01 11 postas de pescada
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O grito da águia, o rebolar de uma bola de palha, o pó a cair...
1.12.09
Durmam, pequenos proletários a contrato, durmam no vosso quentinho, enquanto me mato a traduzir o fascinante mundo dos carcinomas das células escamosas.
E quando acordarem e decidirem ir ao shopping, continuarei aqui a martelar nos rabdomiossarcomas embrionários e nos tumores testiculares.
E quando chegarem ao fim do mês e começarem a receber telefonemas insultuosos dos Créditos Cofidis, eu estarei aqui a sorrir para o meu saldo bancário.
Bah. A quem quero enganar?
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 11:45 13 postas de pescada
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Sempre que chove, há um cão que fica triste
30.11.09
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 10:25 6 postas de pescada
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O fim da Internet: o blogue do Troll Daniel
Um blogue muitíssimo bem esgalhado. Aqui me vou rindo com as aventuras quotidianas do adolescente Jorge Daniel, que incluem as idas à discoteca, as compras maravilhosas por catálogo, os scans do diário do avô, as rezas da avó e as tentativas de galar as gajas do próprio Jorge.
É certamente um troll, mas é muito eficaz. Há muito que não me ria assim a ler um blogue.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 09:40 7 postas de pescada
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E ao 8.º dia, Deus criou o Ikea
28.11.09
Antes mesmo de começar, declaro abertas as hostilidades a todos aqueles que dizem «a Iqueia», incluindo os próprios funcionários. Eu digo «o I-Q-A» e não há quem me convença do contrário. E como já montei casa uma vez e meia com as coisas deles, acho que tenho toda a autoridade para lhe chamar o que me aprouver.
Esclarecido este quesito, sou uma fã confessa da chamada decoração sueca. Cores neutras com apontamentos coloridos, madeiras claras, espaços abertos... e se tudo isto vem num pacote barato, melhor.
O português estava pouco habituado a ter de transportar e montar a sua própria mobília, mas o chamamento do preço baixo falou mais alto e a adesão é o que podem constatar indo a qualquer das lojas a um fim-de-semana (não aconselho tho). Depois, é ver-nos a revisitar os tempos dos puzzles e a sentir-nos como heróis quando atinamos com a montagem dos Fjdrtömlå
Encontrei aqui esta sala e senti-me inspirada, não só porque a achei muito catita...
... mas porque reconheci as peças de colecções antigas e actuais do Ikea (sim, conheço os produtos quase de cor), como podem ver em baixo*. Ou seja, o que é preciso, acima de tudo, é bom gosto e ideias.
Só tenho uma dúvida: como é que uma pessoa mantém uma sala branca... branca?
* Nem todas as peças são exactamente aquelas que estão na foto; algumas são aproximações porque as colecções mudam e alguns itens deixam de aparecer nos catálogos.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 14:52 12 postas de pescada
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O inconfundível odor do chulé
26.11.09
É com isto que sou brindada quando com tanta dificuldade me cuspo para fora da cama, enfio qualquer coisa que tape o pijama e levo o cão à rega matinal do cimento.
A família do 2.º esquerdo tem a mania de deixar os sapatos a arejar à porta do apartamento e, como resultado, todos recebem de presente o inequívoco odor mal abrem a porta.
Não serei eu quem lhes explicará as virtudes de um desodorizante de pés ou de usar meias 100% de algodão e acho que um post-it anónimo seria o mesmo que uma certidão assinada, porque devo ser a única pessoa neste prédio que sabe escrever a palavra «chulé» conforme vem no dicionário.
Agora percebo porque é que a vizinha do 3.º esquerdo costumava ter incenso no seu patamar das escadas.
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 11:02 11 postas de pescada
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Descobertas que mudaram o (meu) mundo da música - Losing My Religion
25.11.09
E eu que pensava que ele cantava
"Oh no, I've said too much / I said it all"
e ele canta-me
"Oh no, I've said too much / I set it up"...
Se a minha versão não era muito mais poética?
Disse eu, a divina Rachelet aí pelas 15:42 12 postas de pescada
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